sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Míto de Sísifo

Olá, pessoal!

Hoje iremos estudar o mito de Sísifo, interpretado pelo filosófo e escritor francês, Albert Camus.

Camus utiliza o mito de Sísifo para introduzir e sustentar o seu ensaio filosófico sobre o absurdo e o suicídio.

Porém, antes de começarmos, gostaria de agradecer imensamente minha companheira de trabalho, Andrea Mascarello, pois teve muita paciência comigo ao longo dessa pesquisa até que, por fim, entramos num acordo!

Espero que gostem da postagem e não pensem em se matar!

Abraços


O Mito de Sísifo


Sísifo, mítico fundador de Éfira, nome antigo da cidade de Corinto, é citado na Ilíada de Homero como sendo filho de Éolo, o rei de Corinto. É considerado o mais astuto e audacioso dos mortais, o único mortal a se casar com uma das Plêiades, Mérope, e ser aparentemente um dos primeiros gregos a dominar a escrita.

Algumas versões relatam que certa vez, o mais esperto e bem-sucedido ladrão da Grécia, Autólico, filho de Hermes e vizinho de Sísifo, tentou lhe roubar o gado. Os animais desapareciam gradualmente sem o menor vestígio do ladrão. Mas Sísifo ficou desconfiado, pois à medida que seu rebanho ia diminuindo o de Autólico só aumentava. Astuto como era Sísifo, começou a marcar os cascos de seus animais com um sinal, que, conforme se movimentavam, descrevia: “Autólico me roubou”. Ao fim deste episódio ambos ficaram amigos e Sísifo teria desposado a filha de Autólico, Anticléia, de onde nasceu Odisseu, um dos principais heróis do Ciclo Troiano. A lenda conta ainda, que, devido à sua paixão pela vida e rebeldia contra os deuses, Sísifo conseguiu enganar a morte duas vezes.

Sísifo viu acidentalmente Zeus raptar Egina, filha do Rio Asopo, e assim rapidamente delatou o fato ao pai dela em troca de uma nascente que o deus-rio fez brotar em Corinto. Zeus, furioso com Sísifo por ter revelado seu segredo, imediatamente enviou-lhe Tânatos, a morte. Mas, segundo Homero, Sísifo foi tão esperto que acabou encontrando uma maneira de aprisioná-la. Quis enfeitar o pescoço de Tânatos com um colar, mas que na verdade era uma coleira. Hades, ao ver seu reino empobrecido e silencioso, foi queixar-se para Zeus, que, interveio e libertou Tânatos, cuja primeira vítima seria Sísifo. 

“Contam também que Sísifo, já perto de morrer, quis imprudentemente pôr à prova o amor de sua esposa. Ordenou que ela jogasse seu corpo insepulto no meio da praça pública” (CAMUS, 2010, p.138). Ao chegar ao Hades sem as devidas honras fúnebres, o astuto Sísifo “mentirosamente culpou a esposa de impiedade e, à força de súplicas, conseguiu permissão para voltar rapidamente à terra, a fim de castigar sua companheira” (BRANDÃO, 1988, p.226).

Quando Sísifo retornou à terra, retomou seu corpo e fugiu com sua esposa enganando a morte pela segunda vez. Viveu por muitos anos até que um dia, Tânatos veio buscá-lo por definitivo. Sísifo foi condenado a empurrar eternamente uma rocha montanha acima, que, ao chegar ao topo, rolava para baixo devido ao seu próprio peso, sendo obrigado a recomeçar sua tarefa. Tal tarefa contínua e eterna fazia com que Sísifo não tivesse tempo pata descansar ou pensar em fugas. 


Mitologia

A interpretação do mito de Sísifo que Camus, filósofo e escritor francês propõe em sua obra “Le Mythe de Sisyphe”, publicada em 1942, nos permite aproximar Sísifo da vida atual e cotidiana. É através dela que Camus apresenta seu ensaio filosófico sobre o homem absurdo e o suicídio, portanto, o mito de Sísifo trata-se de uma questão existencialista.

Camus descreve o homem como homem absurdo, devido ao fato de que, ciente de sua condição e independente de suas ações, fatores sociais, étnicos, religiosos ou econômicos, terá apenas um único destino imutável, a morte.

Enquanto muitas pessoas abjuram de suas crenças para viver a vida em harmonia com a sociedade e aproveitando ao máximo, outras simplesmente encerram a própria vida por concluírem que ela não vale a pena ser vivida, pois o ser humano desde o seu nascimento está condenado a morrer e não há nada que se possa fazer para mudar isso. Camus, com base nesse raciocínio, levanta a questão sobre o que estimula o ser humano a encarar essa realidade, executar sempre as mesmas rotinas e não recorrer ao suicídio.

Segundo Camus, “só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida...” (CAMUS, 2010, p.17).

Camus aborda o suicídio como sendo uma reação contra o sentimento de absurdo. “Matar-se, em certo sentido, é como no melodrama, é confessar. Confessar que fomos superados pela vida ou que não a entendemos” (CAMUS, 2010, p.19).

Reconhecer que a morte é inevitável, que os gestos desempenhados ao longo da existência são ridículos e inúteis, é tomar consciência do quanto a vida é absurda. Esta consciência é ao mesmo tempo um profundo motivo para encurtar a existência.

Várias podem ser as razões que nos fazem viver: a nossa família, o amor a uma determinada pessoa, nosso amor próprio, mas vivemos sempre buscando uma razão em especial para justificar a nossa existência.

Camus dá uma atenção especial para a questão da religiosidade. Muitas pessoas se apegam a fatores religiosos para justificar ou acalmar certos anseios, certos questionamentos sobre vida. O religioso acredita muitas vezes que devemos viver intensamente e de maneira correta, pois algo maior e melhor nos espera após a nossa morte. O ser humano deve carregar sua pedra todos os dias, cultivar bons hábitos e praticar boas ações, assim, será presenteado com um lugar no paraíso ou um lugar no céu. Essa fé em algo que é superior a existência humana, superior a realidade, é o que move as pessoas religiosas a empurrar a sua pedra todos os dias, explica Camus.

De acordo com Camus, o Sísifo que é narrado não é tão diferente do homem atual e, por isso, pode-se fazer uma analogia entre seu mito e a vida cotidiana.

Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quatro horas no escritório ou na fábrica, almoço, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta e sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o “por quê” e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro. “Começa”, isto é importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência (CAMUS, 2010, p.27)

Se dermos crédito a Camus, quando Sísifo foi condenado a rolar eternamente sua rocha até o cimo de uma montanha, os deuses haviam chegado à conclusão de que não existe castigo pior do que o trabalho inútil e sem esperança. No entanto, Sísifo é um apaixonado pela vida e está disposto a seguir adiante.

A rocha que Sísifo carrega pode ser compreendida como o fardo da morte ou condição imutável da vida, assim como, uma esperança ou algo que dê sentido à existência. O castigo de Sísifo é ao mesmo tempo seu estímulo para seguir adiante.

Camus explica que, enquanto Sísifo desce a montanha para recomeçar sua tarefa, ele respira e se torna consciente de sua situação. Mas é durante esse percurso que Sísifo desafia os deuses e se torna maior do que seu próprio destino. O homem atual realiza uma série de tarefas inúteis e sem esperança, sendo obrigado a se tornar criativo em sua repetição. Por muitas vezes, o homem absurdo reclama de sua condição e do quanto pesado é seu fardo, porém, são essas mesmas tarefas que dão algum sentido em sua existência – um propósito de viver mesmo sabendo que seu destino é a morte certa.

Deixo Sísifo na base da montanha! As pessoas sempre reencontram seu fardo. Mas Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e ergue as rochas. Também ele acha que está bem. Esse universo, doravante sem dono, não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra, cada fragmento mineral dessa montanha cheia de noite forma por si só um mundo. A própria luta para chegar ao cume basta para encher o coração de um homem. É preciso imaginar Sísifo feliz (CAMUS, 2010, p.141).

Genealogia


A genealogia de Sísifo é mencionada na Ilíada (Il. 6.152-5) e o seu castigo é descrito na Odisséia (Od. 11.593-600).


Literaturas sobre Sísifo

O diálogo filosófico Sísifo, durante muito tempo atribuído a Platão, nada tem a ver com o Sísifo lendário, apesar do título. No século V a.C., Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Crítias escreveram tragédias baseados no mito de Sísifo, mas nenhum deles chegou até nós, da mesma forma que as comédias dos poucos conhecidos Apolodoro, poeta grego, (séc. IV/III a.C.) e de Lucius Pomponius, poeta romano (fl.c. -90).

Entre as obras modernas podemos citar Sisyphus: Na Operatic Fable, de Robert Trevelyan (1908) e outros vários poemas curtos, entre eles o de A.Rabbe (1924), Robert Garioch (1971?), Miguel Torga (1978), U.A. Fanthorpe (1982), Gary J. Whitehead (1997) e Stephen Dunn (2003). Mas a obra mais célebre e conhecida sobre o mito de Sísifo é o ensaio filosófico de Albert Camus, Le Mythe de Sisyphe (1942) (PORTAL GRÉCIA ANTIGA, 2008).


Sobre Albert Camus

Nasceu na Argélia, em 7 de novembro de 1913 e teve uma infância miserável devido a 1ª Guerra Mundial;

Escreveu “Le Mythe de Sisyphe” (O Mito de Sísifo – ensaio sobre o absurdo) em 1942, aos 29 anos de idade, sua obra mais ideológica. É considerado um filósofo existencialista;

Em 1957 é concedido à ele o Prêmio Nobel devido às suas obras;

Morre ao 46 anos em um trágico (e absurdo) acidente de carro, na França, em 4 de janeiro de 1960. Ele deixou de tomar um trem para Paris, sendo que já estava com a passagem comprada, para pegar carona com o editor de um de seus livros. Camus morre com o bilhete do trem no bolso.


Fontes de Pesquisa

PORTAL GRÉCIA ANTIGA – Sísifo - Disponível em:

BRANDÃO, JUANITO DE SOUZA - Mitologia Grega Volume I, Petrópolis, ed. Vozes, 1986.

CAMUS, ALBERT - O Mito de Sísifo, Trad. Ari Roitman e Paulina Watch, 8ª ediçao, Rio de Janeiro, ed. Record, 2010.

HOMERO, Íliada – Trad. Manoel Odorico Mendes, disponibilizado na web pelo grupo Quatro Contra Tróia em: www.iliadadeodorico.wordpress.com, 2009.

HOMERO, Odisséia – Trad. Antônio Pinto de Carvalho, São Paulo, ed. Abril, 1981.

domingo, 6 de março de 2011

Resumo para estudo: A Odisséia de Homero

Aproveito para agradecer a doutora Paula por ter nos dado uma visão geral sobre o tema e a minha colega de classe, Carolina, por ter me ajudado a relembrar alguns pontos depois de eu tê-los esquecidos.

O poema Odisséia de Homero descreve a história de Odisseu (Ulisses em romano), um personagem grego, à sua terra Ítaca após ter saído vivo da grandiosa guerra de Tróia.

Mas, antes de prosseguir com o retorno de Ulisses à sua terra, esposa e filho é importante uma noção do que se passou antes, mesmo que de maneira geral, para entender a história descrita no poema Odisséia.


Prelúdio

Em forma de cisne, Zeus se aproxima de Leda, esposa de Tíndaro, enquanto ela se banhava num lago e a desposa.

Leda e o Cisne de Paul Cezanne
Leda bota dois ovos dando origem a dois pares de gêmeos: Castor e Pólux (que formam a constelação de gêmeos) e Helena e Clitemnestra.

Helena acaba se tornando a mulher mais linda de todas e, consequentemente, cativando muitos pretendentes.

Dos pretendentes de Leda podemos citar: Agamêmnon, Menelau, Ulisses, Aquiles entre outros. Todos grandes personagens da história da Grécia.

Os pretendentes acabam por fazer um trato entre si, respeitar a decisão de Helena e a proteger independente de quem ela escolhesse para tomar como marido.

Enquanto isso no Olimpo, Éris, a deusa da discórdia, resolve aprontar uma das suas deixando à vista uma maçã dourada destinada a mais bela das deusas gerando uma tremenda discussão entre Hera, Atena e Afrodite.

As deusas pedem a Zeus que decida qual das três é a mais bela, porém, ele resolve não opinar nessa questão chamando o mortal Páris para fazê-lo em seu lugar.

Helena escolhe Menelau, rei de Esparta como marido. Agamêmnon, irmão de Menelau, acaba se casando com Clitemnestra, irmã de Helena. Ulisses, rei de Ítaca casa-se com Penélope.

Cada uma das deusas oferece a Páris um presente para ser escolhida como a mais bonita.

Hera oferece a família mais feliz do mundo, Atena oferece toda a inteligência do mundo e Afrodite oferece o amor da mulher mais linda do mundo, no caso, Helena.

Claro que Páris não é bobo e por isso, escolhe Afrodite.

Páris vai a Esparta em missão diplomática e acaba conhecendo Helena e, com intervenção de Afrodite, se apaixonam.

Afrodite também faz com que Menelau se ausente de Esparta e então, Páris a leva consigo para Tróia.

Mesmo que Helena tenha desejado fugir com Páris, essa atitude foi interpretada como um seqüestro.

Menelau irado recorre ao irmão Agamêmnon que recorre aos demais gregos que eram pretendentes de Helena para uma invasão a Tróia no intuito de trazê-la de volta.

Segundo a história Helena foi um dos motivos que ocasionou a famosa guerra entre gregos e troianos. Claro que também devia haver interesse em território por parte de alguns e o próprio fato de os gregos adorarem uma guerra.

A guerra de Tróia dura cerca 10 anos e todos os líderes gregos morrem com exceção de Ulisses, rei de Ítaca.

Trailer do filme Tróia

A Odisséia

Os irmãos Menelau e Agamêmnon vão pessoalmente à casa de Ulisses buscá-lo para guerra com Tróia.

Pela honra em proteger sua terra, Ulisses se vê obrigado a deixar Ítaca, sua esposa Penélope e seu filho recém-nascido Telêmaco ao partir para Tróia, uma terra muito além de seu reino.

Ele não sabe se voltará a ver a família e por isso faz, Penélope, sua esposa, prometer que irá escolher outro marido caso não regresse até que seu filho Telêmaco tenha se tornado homem.

Os deuses conduziram as embarcações rumo a Tróia e, embora Ulisses estivesse junto a seus guerreiros se sentia sozinho uma vez que fora obrigado a partir.

Atena, sua deusa protetora de todas as jornadas lhe aparece e diz que seu destino é combater e se tornar imortal. Diz a Ulisses que seu nome deverá ser conhecido ao longo das gerações e por isso não o impediu de viajar enquanto estava em Ítaca.

Em Tróia, Ulisses luta ao lado de Aquiles, filho da deusa Tétis e Peleu, rei dos mirmidões. Aquiles era uma máquina de destruição quase invencível que acabou tomando ao ser atingido por uma flecha em seu único ponto fraco, o calcanhar.

Anos de guerra se passaram Tróia ainda permanecia de pé, uma vez que suas paredes eram impenetráveis. Os gregos já pensavam em se render, porém, Ulisses não queria aceitar tantas perdas em vão e, por isso, acabou por tecer um plano de invasão e convencer os guerreiros.

Cavalo de Tróia por Giovanni Domenico Tiepolo
Construíram um imenso cavalo com a madeira dos navios e o ofereceram à Tróia como um troféu de rendição.

Os troianos acreditando na rendição dos gregos levam o cavalo para dentro de suas muralhas e fazem uma grande festa comemorando a vitória.

De noite, enquanto todos dormiam embriagados de vinho, os gregos começaram a sair um por um de dentro do enorme cavalo de madeira e atacar. Por fim Tróia foi conquistada.

Após sua conquista, Ulisses proclama alto de que ele como mortal, havia conquistado Tróia e não precisava da ajuda dos deuses, pois podia fazer o que quisesse sozinho.

Enfurecido, Poseidon, deus do mar fala com Ulisses e decide fazê-lo sofrer pela sua arrogância e por ter esquecido de que sem os deuses, os humanos nada eram.

Ulisses sofreria com a fúria de Poseidon até que compreendesse de que os deuses eram necessários e mostrasse algum respeito.

As palavras de Poseidon logam foram esquecidas por Ulisses, que partiu vitorioso rumo a seu reino que não via há dez anos, porém, durante meses, navegaram perdidos em meio a um nevoeiro e atracaram na terra de Polifemo, o poderoso ciclope.

Presos em uma caverna com Polifemo, Ulisses com sua inteligência não revela seu verdadeiro nome a fim de evitar tragédias e convence o ciclope de que se os matassem nunca iria conhecer as magias e segredos do mundo que traziam.

Encantam Polifemo com vinho e doce música até que, a fim de saber mais, os deixam viver e adormece.

Enquanto isso, Ulisses e seus homens preparavam uma grande estaca para cegar Polifemo, pois se o matassem não haveria ninguém para remover a grande rocha que tapava a entrada da caverna.

Polifemo é atacado enquanto dormia e desesperado remove a rocha que tapava a entrada de  sua caverna chamando pelos irmãos. Nesse meio tempo os guerreiros fogem, exceto por Antífo que é pego pelo ciclope.

Já no barco, Ulisses grita a Polifemo que não teve escolha se não cegá-lo e que na verdade Poseidon era o culpado por isso. Por fim, partem rumo ao pôr-do-sol.

A tripulação atraca, por fim, na ilha de Éolo, deus do vento que, a fim de vingar-se de seu primo Poseidon, egoísta por não reconhecer que o mar sem o vento não é nada, resolve ajudar Ulisses aprisionando os ventos do leste num saco usado para armazenar água e deixando apenas os ventos do oeste livres, capazes de conduzir Ulisses e seus homens a Ítaca.

Itáca já podia ser vislumbrada quando, curiosos os homens de Ulisses resolveram abrir o saco para descobrir o que havia nele. Os ventos desenfreados do leste criaram uma tremenda tempestade conduzindo a tribulação do outro lado do mundo, na terra de Circe, uma poderosa feiticeira que transformava homens em animais.

Os homens de Ulisses não resistiram aos encantos da feiticeira, exceto por Eurícolo que desconfiou, e se transformaram em animais após terem bebido de sua poção com mel.

Circe de Edward Burne-Jones
Enquanto Ulisses subia ao templo de Circe para recuperar seus amigos, Hermes, mensageiro dos deuses, a pedido de Atena, aparece para ensinar como ficar imune aos encantamentos da feiticeira e o que fazer para recuperar seus homens.

Ao beber da poção de Circe, Ulisses permaneceu como homem e foi chantageado a deitar-se com ela em troca de seus amigos. Feito isso o feitiço foi quebrado e todos descansaram e se alimentaram.

O tempo na ilha de Circe não fazia sentido e longos cinco anos se passaram como se fossem cinco dias.

Quando Ulisses se deu conta do tempo que haviam passado lá, ameaça Circe com sua espada que, por fim, os libertam.

Circe providencia um barco à tribulação. Ulisses deve navegar até Érebos, o mundo dos mortos atrás de Tirésias, o profeta, pois ele tinha as respostas do que ainda estava por vir e como retornar a Ítaca.

A tribulação já está longe de Ítaca por uns quinze anos nesta altura.

Chegando a terra dos cimérios, região que parece ser localizada próximo do Vesúvio, na entrada do mundo subterrâneo, Ulisses faz oferendas e encontra a alma de vários de seus amigos perdidos.

Encontra Elpenor, reclamando sua sepultura, pois havia sido deixado na terra de Circe sem um funeral adequado. Encontra também a alma de Agamêmnon, Aquiles, sua falecida mãe que se suicidara por não suportar a dor da ausência do filho e claro Tirésias, o profeta.

Após fazer um sacrifício a Tirésias, este lhe conta sobre os obstáculos que ainda encontrariam até retornar a Ítaca, assim como o caminho que deveria tomar. Sua mãe, Anticléia, também lhe notícias de seu reino, sobre sua esposa que ainda se mantém fiel e de homens que a cortejam tentando tomar seu lugar.

Triste parte com sua tribulação para o estreito de Messina, onde um dos lados habitava Cila, um terrível monstro marinho de três cabeças que nunca tinha sua sede de sangue satisfeita e do outro, Caribdes, onde as águas eram convidativas, mas a tudo engoliam.

Ulisses perde todo resto de sua tribulação nesse estreito e chega a nado na ilha de Calipso, permanecendo lá como um escravo uma vez que sua ilha não era de passagem.
 
Enquanto isso em Ítaca, os nobres da Grécia continuavam na casa de Ulisses comendo e bebendo sua comida, esperando Penélope decidir com quem se casaria. Todos acreditavam Ulisses estar morto exceto a rainha e seu filho Telêmaco.

Penélope, a fim de ganhar tempo, decide tecer uma mortalha para seu marido, mas sempre que se aproximava do fim, desfazia um pedaço e assim o tempo passava.

Telêmaco, inconformado com a bagunça dos hospedes, reúne a assembléia de Ítaca e pede ajuda para expulsá-los de sua casa, porém, ninguém quer ajudá-lo com exceção de Mentor, que na verdade era Atena metamorfoseada.

Triste, Telêmaco decide partir à procura de seu pai sobra orientação de Atena. A esta jornada atribui-se o nome de Telemaquia.

A pedido de Zeus, Hermes, aparece para Calipso dizendo que o destino de Ulisses é outro e que ela precisa libertá-lo, do contrário enfrentaria a irá do deus soberano e sua ilha seria engolida pelo mar de Poseidon.

Caliope triste e já apaixonada, liberta Ulisses que constrói um barco com madeira velha, trazida pelas ondas.

Porém, Poseidon continua não permitindo o regresso de Ulisses até que compreenda que sem os deuses o homem não é nada.

Ulisses é encontrado pelos feácios e levado até o soberano rei Alcinoo que lhe fornece um barco com os melhores remadores para levá-lo de volta até Ítaca, mas foi Poseidon quem permitiu seu retorno, pois Ulisses havia compreendido que era apenas um homem e que precisava dos deuses.

Em Ítaca, Ulisses e Telêmaco se encontram, porém, seu filho a princípio desconfia, mas acaba por confiar nas palavras de seu pai que, no entanto, ainda quer se manter incógnito até descobrir se Penélope continua fiel e como reconquistar seu reino.

Atena lhe aparece e o transforma num mendigo de maneira que somente o seu filho possa reconhecê-lo e assim, adentrar seu reino e descobrir suas respostas.

Telêmaco chega em casa acompanhado pelo do mendigo que é maltratado pelos invasores, mas bem recebido por Penélope que resolve o interrogar. Ulisses precisa manter-se discreto e por isso não se revela para Penélope, mas diz seu marido estar vivo e que irá retornar para defendê-la.

Penélope por fim já havia decidido que no dia seguinte iria cumprir a promessa que fizera ao marido no momento de sua partida para Tróia como sendo seu ultimo sacrifício e então propõe uma competição entre os hospedes.

 O hospede que conseguisse colocar a corda no antigo arco de Ulisses e atravessar uma flecha entre o anel de doze machados alinhados, seria seu novo marido.

Todos tentam sem sucesso passar a corda no arco, até que Ulisses pede para experimentar e acaba surpreendendo a todos ao repetir o feito que só ele era capaz de fazer.

Feito isso, foi reconhecido entre os hospedes que, surpresos mostram arrependimento, e prometem indenização, porém, Ulisses quer sua vingança e assassina a todos por terem ousado roubar seu reino, assim como todas as servas infieis foram enforcadas por Telêmaco.

Por fim, o rei de Ítaca reencontra sua rainha.

Trailer do filme A Odisséia (1997)

Referência bibliográfica

Homero, A Odisséia, São Paulo - Editora Martin Claret - 2009 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O despertar de Paixão



Essa história eu já contei uma ou duas vezes, porém, não sei se ela foi levada a sério.

Eu tive um amigo durante minha infância cujo nome Amor. Amor não era o favorito da turma, afinal, não era o mais belo, não era o mais inteligente e nem o mais descolado, pelo contrário, era o mais incompreendido. Mas era um amigo e uma pessoa comum com desejos, sonhos e uma imaginação bastante fértil.

Anos se passaram e Amor cresceu e, como acontece com todo mundo mais cedo ou mais tarde, acabou se relacionando com uma garota, Mentira.

Amor viveu num platonismo, pois via em Mentira alguém que não existia de fato, via uma idéia daquilo que lhe faltava e, por isso, tudo parecia perfeito, ambos se completavam de alguma forma. Até o dia em que, o que parecia um mar de rosas tornou-se uma maré de trevas e desilusão.

O coração de Amor parou de funcionar e foi reduzido a cinzas.

Uma noite em seus sonhos uma mulher com um lindo vestido vermelho cujo nome Defesa apareceu e deu-lhe um novo coração, porém, este não batia e era duro e seco como uma pedra.

A partir daí, Amor estava morto, mas uma nova criatura renasceu em seu lugar, Paixão.

Paixão era incapaz de conviver com as diferenças e incapaz de amar. Seu único propósito era seduzir e se alimentar para suprir suas necessidades do momento. Feito isto suas vítimas, eram abandonadas a mercê da própria sorte e definhavam dia após dia na esperança de algo que não existia.

Paixão, criatura que despreza a real essência do amor e aquilo que de fato importa. Passageira e devastadora.

Bom, há muito não ouço falar de Amor, mas eu sei que ele ainda está vivo e caminha por aí sem rumo na esperança de dominar Paixão e, por fim, dar vida novamente ao seu coração.


Amor

Mais uma vez pego-me pensando em você.
Tentando encontrar palavras
para lhe dizer...

Eu poderia dizer que te amo,
mas isto não faria sentido,
pois eu sou todo amor e,
um amor assim não precisa de provas.

Eu poderia dizer que penso em você quando fecho os olhos,
mas isto também não faria sentido,
pois sonho com você acordado

Eu poderia dizer que,
tudo o que sinto por você me faz mal
pelo fato de não estarmos juntos,
mas isto também não faz sentido,
pois é um mal necessário.

Só posso dizer com certeza que,
quando o amor é forte,
os defeitos são fracos.

Minha inspiração para esse texto foi a obra O Simpósio (O Banquete) de Platão. O poema também é de minha própria autoria.

Até a próxima, amigos!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Teatro para juventude II

Olá, amigos!

Aproveitando a temporada de teatros juvenis, também resolvi escrever uma esquete que retrata o bem e o mal que reside em nós.

Nesta esquete há apenas três personagens que são interpretados pela mesma pessoa ao mesmo tempo.

O pessoa encontra-se diante de um espelho conversando com seu anjo e seu demônio interior. Nesta conversa são levantadas questões sobre a essência do ser humano e a sensação de não se adaptar a realidade como sendo um limite de aceitação as diferenças dentro de nós mesmos.

Espero que gostem. Até a próxima.


O bem e o mal que reside em nós


Eu para anjo: - Você não devia ficar me olhando deste jeito, como se eu estivesse errado.

Anjo: - Eu não sei quem está certo ou errado, mas você devia tentar ser mais sociável.

Eu: - É, às vezes sinto falta disto, porém, fico incomodado com a realidade. Sabe, às vezes tenho a impressão de que não há mais lugar para mim na sociedade.

Demônio para eu: - Verdade, acho que você deveria tomar um copo de veneno!

Anjo para demônio: - Hahaha, para com isto! Ele é gente boa, você que não o compreende.

Eu para ambos: - Vocês ficam rindo, mas eu já pensei nisto, sabiam?

Anjo para eu: - Realmente você tem demonstrado certas atitudes que me deixam triste.

Eu: - Desculpe, não é por mal. Só acho que meus valores são muito diferentes dos da sociedade.
- Eu fico me perguntando por que as pessoas mentem, têm inveja, são egoístas, traidoras, afinal, porque fazem essas coisas?

Demônio para eu: - As pessoas estão sendo elas mesmas, você também deveria ser assim. Tenho certeza de que elas iriam gostar muito mais de você.

Anjo para eu: - Você não precisa ser igual, afinal, você não é assim. Você pode até fazer as mesmas coisas, mas no final seus princípios sempre serão os mesmos. Neste caso você seria um hipócrita.

Demônio para eu: - Do jeito que as coisas andam, está compensando fazer o mal. De repente você gosta e acostuma, hehe.
- Já sei, compre uma arma. Assim quando alguém reclamar do que você estiver fazendo, você coloca a pessoa pra dançar.

Anjo para demônio: - Cada idéia que você tem, hein? De onde vem tanta besteira?

Demônio para ambos: - Ah! Já fui bonzinho demais e nunca ninguém me valorizou. Como conseqüência disto, acabei por conhecer novas perspectivas de vida.
- Hoje penso que, estava encenando uma peça negando minha própria natureza.

Anjo para demônio: - Hehehe, você desistiu muito fácil, qualquer coisinha ruim que acontecia você já queria punir e vingar-se, estragar a vida de alguém. Aliás, estragar sua própria vida.

Demônio: - Lá vêm você. Nem sabe ao certo o que aconteceu.

Anjo para eu: - Voltando ao assunto, de fato as pessoas têm perdido alguns valores ao longo do caminho por conta de conselhos como esses que ele está te dando.

Eu: - Devo confessar que as idéias até que são interessantes, mas ainda não cheguei a uma conclusão.
- Eu só queria que fosse mais fácil confiar nas pessoas, viver em harmonia.

Anjo: - As pessoas vivem em conseqüências das escolhas que elas mesmas fazem.
- Eu acho que você deveria desenvolver mais a sua habilidade de aceitação, pois isto é um limite, sabia?

Eu: - Desenvolver mais ainda?
- Eu aceito até demais, por isto, ainda não desisti.

Demônio para eu: - Eu ainda acho que você não tem jeito.
- Deveria tomar um copo de veneno ou então, comprar a arma como já te falei, assim as pessoas respeitariam você.

Anjo para demônio: - Quer parar de falar bobagens?
- Esses são os piores conselhos que alguém já deu na vida.

Demônio - E você acha que os seus são bons? – Parece até que quer que ele continue sofrendo.

Anjo: - Não quero que ele sofra. Quero ajudá-lo.

Demônio: - Sei. Se quisesse mesmo ajuda-lo, concordaria comigo.

Anjo: - Não tem cabimento concordar contigo, você também precisa de ajuda.

Eu para ambos: - Hey, pessoal!
- Chamei vocês para me ouvirem e não para discutirem entre vocês. Pelo amor, estou cansado de assistir sempre a mesma coisa.
- Quer saber, já escovei meus dentes, vou embora. Tchau!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Teatro para juventude

Olá, amigos!

Hoje estarei postando uma esquete feita por uma pessoa que admiro muito, Maurício Pinheiro. Trata-se de uma pequena peça para reflexão sobre como achamos ser livres quando na verdade estamos presos na sociedade de uma maneira geral.

Escola Suicida

Decidi escrever um simples esquete, visando auxiliar uma jovem amiga, esperando que ela não seja expulsa da escola por encená-la.
Os reacionários venceram, simplesmente por que são a maioria.
O esquete chama-se “Escola Suicida” e trás como personagens apenas duas garotas.

- Eu não posso tomar suspensão! O que vou falar para os meus pais?
- Que não tomou suspensão!
- Com que cara?
- Com a mesma cara que ira dizer a eles que estava na aula hoje!
- Porque simplesmente não ficamos lá?
- Aquelas paredes, aquelas pessoas, aquela matéria estavam me sufocando.
- E tomar um ar no pátio não poderia te ajudar?
- Não posso fumar no pátio!
- Você não fuma!
- Isto não importa! O que importa que não poderia fumar lá se eu quisesse!
- Fumar seria destruir a sua saúde!
- Não fumar é destruir a minha liberdade... entendo que é horrível viver ao lado de um fumante ou sentir aquele maldito cheiro da fumaça. Mas não poder fumar sozinha no pátio é fascismo! Se fossem realmente preocupados com a saúde humana proibiram os automóveis de funcionar seus motores.
- Então estamos para ser pegas matando aula porque você não pode fumar um cigarro que não quer fumar?
- Não! Estamos para ser pegas porque não vejo motivos para me manterem confinada! Não fiz nada de errado!
- Aquelas pessoas querem te ensinar algo.
- Estão me ensinando, confinamento é solução para qualquer coisa! Cometeu um crime? Confina na cadeia! Quer ter educação formal? Confina na escola! Quer ter uma chance de crescer? Confina num trabalho! Quer se livrar dos velhos? Confinam eles num asilo!
- Não seja dramática! Você tem a liberdade de ir para onde você quiser!
- Errada. Eu tenho a liberdade para ir onde eu quiser desde que seja o lugar para onde me mandam! Saio daquela escola para ir para minha casa. Não posso ir numa escola diferente amanhã.
- Por que as suas coisas estão lá? Sua matrícula? Suas notas? É como você querer dormir na sua cama numa casa diferente da sua!
- Matrículas e notas são apenas números! Informações dentro de um computador! Toda a vida acadêmica de toda escola cabe no meu celular! Isso não pode ser desculpa!
- Viraria um caos!
- E qual o grande problema nisto? Quem ditou as regras? Quem disse que tudo que a escola ensina é aquilo que devemos realmente aprender? Quem disse que preciso de três anos para concluir o ensino médio? Porque não dois anos e sete meses ou cinco anos e três meses?
- Imaginou como ficaria as matriculas os diplomas? Seria horrível para controlar?
- Novamente, números, dados, burocracia! Educação deveria ser mais do que uma padronização! Deveria ser uma base para nos auxiliar a sermos tudo aquilo que podemos ser.
- E o que você quer ser?
- Não sei! Mas sei que não quero fazer do meu casamento o dia mais feliz da minha vida, ou melhor, não quero nem ao menos casar! Não quero que me imponha a felicidade! Quero ter o direito de encontrá-la! A felicidade é minha!
- E se você não conseguir encontrá-la!
- Quero ter o direito de parar de buscá-la definitivamente sem ser condenada por isto!
- Você é maluca! Sabia?
- Sim! E um dia você descobrirá que também é!
Maurício Pinheiro
é dramaturgo de segunda
e analista de informática

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Fernão Capelo Gaivota: uma interpretação

Olá, amigos!

Há alguns meses atrás participei de um treinamento que se chama "Transcendendo Seus Limites". Este é um treinamento de autoconhecimento e liderança que nós ajuda a se conscientizar do poder que temos dentro de nós para atingir nossas metas e transcender nossos limites como o próprio nome diz.

O treinamento é feito com base no livro de Richard Bach, Fernão Capelo Gaivota do qual estarei compartilhando com vocês uma interpretação feita por mim comparado à nossa realidade.
Não darei mais detalhes sobre o treinamento, pois quem se interessar em conhecê-lo encontrará o caminho mais cedo ou mais tarde.

Espero que apreciem a leitura e comentem, pois assim podemos aprender juntos.


Fernão Capelo Gaivota: uma interpretação

Fernão sentia-se deslocado do bando de gaivotas. Ele não era como as demais.

Para Fernão a vida era mais do que apenas brigar por restos de comida, pois acreditava ter nascido para algo muito além daquilo.

O fato de acreditar ter um propósito maior na vida não o fazia sentir mais especial do que as demais gaivotas, pelo contrário, era um motivo de vergonha para o bando.

Fernão amava voar mais do que tudo e investia a maior parte do seu tempo treinando novas técnicas e aprimorando aquilo que lhe dava mais prazer.

Fazendo uma comparação da história de Fernão com a realidade humana, percebemos que não há muita diferença, pois quando nos comportamos e pensamos diferente do grupo em que vivemos há uma resistência em adaptar-se às diferenças e, em muitos casos somos a “ovelha negra” e motivo de piadas.

Isso acontece, pois as pessoas temem o que é diferente e acaba por cair e permanecer naquilo que conhecemos como zona de conforto.

Para vivermos em sociedade devemos reprimir alguns instintos e abrir mão de alguns desejos pessoais a fim de preservar a harmonia entre o grupo, no entanto, somos livres para deixar o grupo e procurar por outro onde possamos nos libertar um pouco mais.


Os pais de Fernão prevendo a punição alertavam-no e pediam que se comportasse como as demais gaivotas do bando, pois acreditavam que a vida era apenas sobreviver de restos de comida e de forma limitada.

Por um tempo Fernão tentou ser como as demais gaivotas, porém, não conseguiu se enquadrar ao bando e, por isso, voltou a praticar sua paixão: voar.

O resultado disso não poderia ser diferente. Fernão foi banido do grupo de gaivotas.


Quantas vezes nossos pais e pessoas próximas nos desmotivam a perseguir nossos sonhos e nos estimulam a viver como as demais? A sociedade age como se fossemos obrigados a fazer parte de um mesmo sistema. Devido ao medo de ousar e ficar para trás, não admite que esse grupo seleto de pessoas transcenda.

Nisso percebemos que não há uma maneira de mudar o sistema da sociedade, porém, somos livres para optar não fazer parte dele.


Fernão voou para longe do bando sempre aprendendo mais e mais com os seus erros. Ao invés de desistir ao fazer uma acrobacia errada, questionava e tentava transcender seus limites para voar cada vez mais alto e mais longe.


Algumas pessoas nascem para se tornarem pensadoras ao invés de repetidores de idéias. Essas pessoas questionam os porquês e não se acomodam com facilidade. Em outras palavras, há pessoas que nascem para crescer e brilhar e se autoconhecer enquanto há pessoas que nascem para ser apenas figurantes de uma história no teatro existencial.


Durante sua jornada, Fernão encontra outras gaivotas com pensamentos e paixões comuns. Juntos trocam experiências e crescem ainda mais.

Nesse novo bando, Fernão conhece a gaivota Chiang* a qual ensina a ele lições muito importantes como viajar a velocidade do pensamento e o combustível principal para alimentar esses vôos.

Fernão aprende que voar a velocidade do pensamento nada mais é do que se concentrar, desejar de alma e materializar. Que impossível só existe para quem acredita na impossibilidade. Fernão aprende que o que alimenta os desejos e os transformam em realidade é o amor e as boas intenções.


Na vida pessoas vêm e vão e deixam parte delas com a gente. Para toda ação há uma reação. A punição de Fernão permitiu que o mesmo conhecesse novos ares e por fim, encontrar novas gaivotas que pensam como ele.

Algumas pessoas surgem em nossas vidas e se comportam de maneira que a princípio não compreendemos e há pessoas que aparecem e nos ensinam a olhar para dentro de nós mesmos e enxergar aquilo que não estamos vendo, a descobrir a nossa missão como ser humano e o quão importante é nosso papel no palco da vida.

Para cumprir nosso papel precisamos de amor para alimentar nossos pensamentos e desejos, sobreviver às intempéries da vida e transcender nossos limites. Devemos aprender que somos do tamanho dos nossos sonhos e não mais do que nosso próprio pensamento.


Munido de amor e desejos, Fernão se dá conta de que sua missão é ensinar as demais gaivotas a voar e, mais do que isso, ajudá-las a enxergar nelas mesmo o que elas têm de melhor e como se tornarem protagonistas de sua própria historia.

Fernão retorna ao bando antigo de gaivotas já com alguns alunos e, apesar da resistência do bando, começa a ensinar as poucas gaivotas interessadas que a vida é muito mais do que sobreviver e que há muito para explorar dentro delas mesmo e no mundo afora.


Assim como pessoas surgem em nossas vidas para nos ensinar a transcender, também temos um papel fundamental na vida de outras pessoas.

Algumas pessoas não conseguem por si só, olhar para dentro de si mesmas e enxergarem o quanto são especiais, portanto, devemos ajudar essas pessoas a compreenderem e a quebrar certos paradigmas para transcenderem e se tornarem melhores.

Por fim, tudo serve como aprendizado e nem tudo serve para nos punir. Cabe a cada um se libertar, ousar e transcender.
Chiang: termo chinês atribuido a gaivota mais velha, sábia e livre.


  
Obrigado e até a próxima!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Monstros na sociedade

Há alguns dias atrás, eu estava refletindo sobre o que nos faz pensar que, por exemplo, o Brad Pitt é mais bonito do que o Rei Pelé ou que a Angelina Jolie é mais sexy do que a Dilma Rousseff, atual presidente.

Podemos de fato assumir como real o que nossos olhos vêem?

A reflexão me fez lembrar da alegoria da caverna de Platão que, em linhas gerais, foi desenvolvido para explicar a teoria dos dois mundos que Platão disse existir. O primeiro é o mundo daquilo que vemos e sentimos, o segundo é o mundo das idéias alcançado somente através da razão.

Não entrarei em detalhes sobre a caverna, pois compartilharei mais adiante quadrinhos que nos darão uma breve compreensão sobre a alegoria.

Neste exato momento vocês devem estar se perguntando o que o mito tem a ver com os personagens acima citados, ou melhor, com a beleza?

Visto que, com o passar dos anos, a publicidade (mídia) tem criado alguns estereótipos que se tornaram verdadeiros monstros na sociedade como, por exemplo: o estereótipo do belo e a formação de ídolos.

Atualmente, vemos nas passarelas figuras magérrimas, pernas compridas, muitas curvas. No caso dos homens, especificamente, vemos músculos bem definidos e um rosto bem desenhado. Apenas isso. Cadê os gordinhos? Gordinhas? Os baixinhos? Baixinhas?

Esses são os padrões de beleza atuais e tudo o que é diferente é apenas "bonitinho".

O estereótipo do belo e da formação de ídolos não estão presentes apenas nas passarelas, mas no meio musical, no cinema, teatro, nas empresas, enfim, em todos os lugares, porém, de maneiras diferentes.

No meio musical, encontramos pessoas com o rosto cheio de pó, cabelo bagunçado com gel em demasia e letras musicais que sempre falam do mesmo assunto. No cinema e no teatro, encontramos figuras dignas de passarelas, mas que fazem cenas que muitas vezes não têm nada ver com o padrão estético escolhido. Nas empresas, vemos pessoas engomadinhas, que dão gargalhadas forçadas das piadas sem graça que chefe conta e que já não têm mais imaginação de tanto trabalhar e puxar o saco daqueles que podem ajudar-lhes de alguma maneira para sua ascensão profissional.

Muitas pessoas enfrentam graves problemas de saúde física e psicologicamente tentando se encaixar nesses padrões de beleza. Em muitos casos, os danos são irreversíveis.

Certo dia, fui ao shopping jantar, pois estava enjoado de comer miojo com atum e, quando estava indo embora, cruzei com um rapaz bem forte, que usava uma camiseta regata com o nome da academia de musculação em que treinava. Detalhe, isto aconteceu por volta das 21 horas e estava chovendo muito. Logo pensei: "está querendo se mostrar, não é possível!".

Achei engraçado, pois sempre que vejo algo assim, fico tentando imaginar qual seria a intenção do rapaz. Talvez, conscientemente seja mostrar os músculos e que ser membro de uma academia é algo que pode atrair a atenção das garotas. Se esse rapaz realmente pensa assim, é porque esse padrão tem sido imposto na sociedade ao longo dos anos.

Inconscientemente, essa pessoa pode ter um sério problema de autoconfiança e baixa autoestima e, o fato de ter grandes músculos é uma maneira de sobrecompensar o medo de ser considerado um fraco e sofrer qualquer tipo de abuso relacionado ao seu físico.

As meninas, se maquiam e passam a andar com outras meninas que também se maquiam, fumam, bebem, vestem saias curtas e usam lindos decotes para ir à balada na esperança de que algum homem bombadinho e bonitinho as abordem. Também acreditam inconscientemente que, com determinado grupo de pessoas, serão vistas como sendo garotas interessantes, divertidas etc. A competição entre as mulheres é muito grande. De fato, não aceitam ficar para trás.

Se vocês chegaram até aqui, provavelmente devem estar querendo me pegar e me encher de pancadas!

Os exemplos que citei foram os primeiros que me passaram pela cabeça, a fim de apenas estimulá-los a refletirem sobre a maneira como vivemos hoje sob influência da mídia. Não devo generalizar, pois nem todas as pessoas pensam dessa maneira e muitas até tentam à qualquer custo fugir desses padrões. Normalmente, são as pessoas que são consideradas as mais chatinhas do grupo e solitárias, que normalmente são lembradas somente nos momentos de carência.

Também não estou dizendo que a mídia é algo desnecessário e totalmente alienante que prejudica as pessoas, pois sem ela não existiria TV, não teriam propagandas, não venderíamos nossos produtos e nem consumiríamos nada que pudesse facilitar nossa vida neste mundo material.

Mas, talvez agora eu tenha dado um novo ponto de vista para que possam viver mais conscientes e livres da alienação.

Enfim, conforme disse no início previamente, vou postar os quadrinhos dos quais servirão de conclusão ao meu texto. Espero que com eles vocês possam entender um pouco mais de como o mundo das idéias é composto e como deduzimos as coisas nos dias de hoje.

Muito obrigado pelo tempo investido ao ler esse texto. Até a próxima.













Fonte das imagens: http://img7.imageshack.us/img7/794/plataopq.jpg, acessado em: 17/01/11.