quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Fernão Capelo Gaivota: uma interpretação

Olá, amigos!

Há alguns meses atrás participei de um treinamento que se chama "Transcendendo Seus Limites". Este é um treinamento de autoconhecimento e liderança que nós ajuda a se conscientizar do poder que temos dentro de nós para atingir nossas metas e transcender nossos limites como o próprio nome diz.

O treinamento é feito com base no livro de Richard Bach, Fernão Capelo Gaivota do qual estarei compartilhando com vocês uma interpretação feita por mim comparado à nossa realidade.
Não darei mais detalhes sobre o treinamento, pois quem se interessar em conhecê-lo encontrará o caminho mais cedo ou mais tarde.

Espero que apreciem a leitura e comentem, pois assim podemos aprender juntos.


Fernão Capelo Gaivota: uma interpretação

Fernão sentia-se deslocado do bando de gaivotas. Ele não era como as demais.

Para Fernão a vida era mais do que apenas brigar por restos de comida, pois acreditava ter nascido para algo muito além daquilo.

O fato de acreditar ter um propósito maior na vida não o fazia sentir mais especial do que as demais gaivotas, pelo contrário, era um motivo de vergonha para o bando.

Fernão amava voar mais do que tudo e investia a maior parte do seu tempo treinando novas técnicas e aprimorando aquilo que lhe dava mais prazer.

Fazendo uma comparação da história de Fernão com a realidade humana, percebemos que não há muita diferença, pois quando nos comportamos e pensamos diferente do grupo em que vivemos há uma resistência em adaptar-se às diferenças e, em muitos casos somos a “ovelha negra” e motivo de piadas.

Isso acontece, pois as pessoas temem o que é diferente e acaba por cair e permanecer naquilo que conhecemos como zona de conforto.

Para vivermos em sociedade devemos reprimir alguns instintos e abrir mão de alguns desejos pessoais a fim de preservar a harmonia entre o grupo, no entanto, somos livres para deixar o grupo e procurar por outro onde possamos nos libertar um pouco mais.


Os pais de Fernão prevendo a punição alertavam-no e pediam que se comportasse como as demais gaivotas do bando, pois acreditavam que a vida era apenas sobreviver de restos de comida e de forma limitada.

Por um tempo Fernão tentou ser como as demais gaivotas, porém, não conseguiu se enquadrar ao bando e, por isso, voltou a praticar sua paixão: voar.

O resultado disso não poderia ser diferente. Fernão foi banido do grupo de gaivotas.


Quantas vezes nossos pais e pessoas próximas nos desmotivam a perseguir nossos sonhos e nos estimulam a viver como as demais? A sociedade age como se fossemos obrigados a fazer parte de um mesmo sistema. Devido ao medo de ousar e ficar para trás, não admite que esse grupo seleto de pessoas transcenda.

Nisso percebemos que não há uma maneira de mudar o sistema da sociedade, porém, somos livres para optar não fazer parte dele.


Fernão voou para longe do bando sempre aprendendo mais e mais com os seus erros. Ao invés de desistir ao fazer uma acrobacia errada, questionava e tentava transcender seus limites para voar cada vez mais alto e mais longe.


Algumas pessoas nascem para se tornarem pensadoras ao invés de repetidores de idéias. Essas pessoas questionam os porquês e não se acomodam com facilidade. Em outras palavras, há pessoas que nascem para crescer e brilhar e se autoconhecer enquanto há pessoas que nascem para ser apenas figurantes de uma história no teatro existencial.


Durante sua jornada, Fernão encontra outras gaivotas com pensamentos e paixões comuns. Juntos trocam experiências e crescem ainda mais.

Nesse novo bando, Fernão conhece a gaivota Chiang* a qual ensina a ele lições muito importantes como viajar a velocidade do pensamento e o combustível principal para alimentar esses vôos.

Fernão aprende que voar a velocidade do pensamento nada mais é do que se concentrar, desejar de alma e materializar. Que impossível só existe para quem acredita na impossibilidade. Fernão aprende que o que alimenta os desejos e os transformam em realidade é o amor e as boas intenções.


Na vida pessoas vêm e vão e deixam parte delas com a gente. Para toda ação há uma reação. A punição de Fernão permitiu que o mesmo conhecesse novos ares e por fim, encontrar novas gaivotas que pensam como ele.

Algumas pessoas surgem em nossas vidas e se comportam de maneira que a princípio não compreendemos e há pessoas que aparecem e nos ensinam a olhar para dentro de nós mesmos e enxergar aquilo que não estamos vendo, a descobrir a nossa missão como ser humano e o quão importante é nosso papel no palco da vida.

Para cumprir nosso papel precisamos de amor para alimentar nossos pensamentos e desejos, sobreviver às intempéries da vida e transcender nossos limites. Devemos aprender que somos do tamanho dos nossos sonhos e não mais do que nosso próprio pensamento.


Munido de amor e desejos, Fernão se dá conta de que sua missão é ensinar as demais gaivotas a voar e, mais do que isso, ajudá-las a enxergar nelas mesmo o que elas têm de melhor e como se tornarem protagonistas de sua própria historia.

Fernão retorna ao bando antigo de gaivotas já com alguns alunos e, apesar da resistência do bando, começa a ensinar as poucas gaivotas interessadas que a vida é muito mais do que sobreviver e que há muito para explorar dentro delas mesmo e no mundo afora.


Assim como pessoas surgem em nossas vidas para nos ensinar a transcender, também temos um papel fundamental na vida de outras pessoas.

Algumas pessoas não conseguem por si só, olhar para dentro de si mesmas e enxergarem o quanto são especiais, portanto, devemos ajudar essas pessoas a compreenderem e a quebrar certos paradigmas para transcenderem e se tornarem melhores.

Por fim, tudo serve como aprendizado e nem tudo serve para nos punir. Cabe a cada um se libertar, ousar e transcender.
Chiang: termo chinês atribuido a gaivota mais velha, sábia e livre.


  
Obrigado e até a próxima!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Monstros na sociedade

Há alguns dias atrás, eu estava refletindo sobre o que nos faz pensar que, por exemplo, o Brad Pitt é mais bonito do que o Rei Pelé ou que a Angelina Jolie é mais sexy do que a Dilma Rousseff, atual presidente.

Podemos de fato assumir como real o que nossos olhos vêem?

A reflexão me fez lembrar da alegoria da caverna de Platão que, em linhas gerais, foi desenvolvido para explicar a teoria dos dois mundos que Platão disse existir. O primeiro é o mundo daquilo que vemos e sentimos, o segundo é o mundo das idéias alcançado somente através da razão.

Não entrarei em detalhes sobre a caverna, pois compartilharei mais adiante quadrinhos que nos darão uma breve compreensão sobre a alegoria.

Neste exato momento vocês devem estar se perguntando o que o mito tem a ver com os personagens acima citados, ou melhor, com a beleza?

Visto que, com o passar dos anos, a publicidade (mídia) tem criado alguns estereótipos que se tornaram verdadeiros monstros na sociedade como, por exemplo: o estereótipo do belo e a formação de ídolos.

Atualmente, vemos nas passarelas figuras magérrimas, pernas compridas, muitas curvas. No caso dos homens, especificamente, vemos músculos bem definidos e um rosto bem desenhado. Apenas isso. Cadê os gordinhos? Gordinhas? Os baixinhos? Baixinhas?

Esses são os padrões de beleza atuais e tudo o que é diferente é apenas "bonitinho".

O estereótipo do belo e da formação de ídolos não estão presentes apenas nas passarelas, mas no meio musical, no cinema, teatro, nas empresas, enfim, em todos os lugares, porém, de maneiras diferentes.

No meio musical, encontramos pessoas com o rosto cheio de pó, cabelo bagunçado com gel em demasia e letras musicais que sempre falam do mesmo assunto. No cinema e no teatro, encontramos figuras dignas de passarelas, mas que fazem cenas que muitas vezes não têm nada ver com o padrão estético escolhido. Nas empresas, vemos pessoas engomadinhas, que dão gargalhadas forçadas das piadas sem graça que chefe conta e que já não têm mais imaginação de tanto trabalhar e puxar o saco daqueles que podem ajudar-lhes de alguma maneira para sua ascensão profissional.

Muitas pessoas enfrentam graves problemas de saúde física e psicologicamente tentando se encaixar nesses padrões de beleza. Em muitos casos, os danos são irreversíveis.

Certo dia, fui ao shopping jantar, pois estava enjoado de comer miojo com atum e, quando estava indo embora, cruzei com um rapaz bem forte, que usava uma camiseta regata com o nome da academia de musculação em que treinava. Detalhe, isto aconteceu por volta das 21 horas e estava chovendo muito. Logo pensei: "está querendo se mostrar, não é possível!".

Achei engraçado, pois sempre que vejo algo assim, fico tentando imaginar qual seria a intenção do rapaz. Talvez, conscientemente seja mostrar os músculos e que ser membro de uma academia é algo que pode atrair a atenção das garotas. Se esse rapaz realmente pensa assim, é porque esse padrão tem sido imposto na sociedade ao longo dos anos.

Inconscientemente, essa pessoa pode ter um sério problema de autoconfiança e baixa autoestima e, o fato de ter grandes músculos é uma maneira de sobrecompensar o medo de ser considerado um fraco e sofrer qualquer tipo de abuso relacionado ao seu físico.

As meninas, se maquiam e passam a andar com outras meninas que também se maquiam, fumam, bebem, vestem saias curtas e usam lindos decotes para ir à balada na esperança de que algum homem bombadinho e bonitinho as abordem. Também acreditam inconscientemente que, com determinado grupo de pessoas, serão vistas como sendo garotas interessantes, divertidas etc. A competição entre as mulheres é muito grande. De fato, não aceitam ficar para trás.

Se vocês chegaram até aqui, provavelmente devem estar querendo me pegar e me encher de pancadas!

Os exemplos que citei foram os primeiros que me passaram pela cabeça, a fim de apenas estimulá-los a refletirem sobre a maneira como vivemos hoje sob influência da mídia. Não devo generalizar, pois nem todas as pessoas pensam dessa maneira e muitas até tentam à qualquer custo fugir desses padrões. Normalmente, são as pessoas que são consideradas as mais chatinhas do grupo e solitárias, que normalmente são lembradas somente nos momentos de carência.

Também não estou dizendo que a mídia é algo desnecessário e totalmente alienante que prejudica as pessoas, pois sem ela não existiria TV, não teriam propagandas, não venderíamos nossos produtos e nem consumiríamos nada que pudesse facilitar nossa vida neste mundo material.

Mas, talvez agora eu tenha dado um novo ponto de vista para que possam viver mais conscientes e livres da alienação.

Enfim, conforme disse no início previamente, vou postar os quadrinhos dos quais servirão de conclusão ao meu texto. Espero que com eles vocês possam entender um pouco mais de como o mundo das idéias é composto e como deduzimos as coisas nos dias de hoje.

Muito obrigado pelo tempo investido ao ler esse texto. Até a próxima.













Fonte das imagens: http://img7.imageshack.us/img7/794/plataopq.jpg, acessado em: 17/01/11.